Filme aborda a violência contra a mulher em um cenário inóspito e condição climática extrema
Por: Aline Miranda
Mais uma vez, o audiovisual brasileiro reúne grandes nomes das artes cênicas para abordar um tema de interesse público. Andrea Beltrão, Leandra Leal, Marina Ruy Barbosa, Lázaro Ramos e Antonio Calloni formam parte do elenco de “Antártida” e garantem algumas horas de interpretações primorosas e dignas de nota, no novo thriller psicológico de Bruno Safadi.
Na Estação Comandante Diniz, na Antártida, a cientista Inês (Marina Ruy Barbosa) é vítima de um estupro. Isolados pelo frio extremo e sem possibilidade de resgate imediato, todos os homens da base se tornam suspeitos, inclusive as patentes mais altas, Comandante Barros (Antonio Calloni) e o Capitão Vicente (Lázaro Ramos). Quem assume a investigação é a Subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão), ao lado das outras mulheres da estação, Marina (Leandra Leal) e Rose (Mariana Sena). Juntas, as mulheres precisam se unir para enfrentar o medo, o silêncio e a violência.

Com uma fotografia que utiliza imagens grandiosas de um gelo sem fim, o público se sente no próprio frio da Antártida e não imagina que o filme foi gravado no Rio de Janeiro, no maior estúdio de produção virtual da América Latina, por meio da tecnologia Unreal, criando cenários hiper-realistas em tempo real. Nesse ambiente inóspito, criado graças à tecnologia, é posicionada a fictícia Estação Comandante Diniz, fazendo uma clara referência à Estação Comandante Ferraz, a verdadeira base científica do Brasil na Antártica.
O roteiro de Claudia Jouvin faz a escolha interessante de abordar a questão da violência contra a mulher em um ambiente como a Antártida. Porém, perde a chance de tratar de questões ambientais relacionadas às mudanças climáticas extremas. É assim que a narrativa se perde na tentativa de desenvolver subtramas desnecessárias, que não colaboram com o tema central, criando uma bola de neve, quase sem resolução.
“Antártida” é um filme que nasce com ousadia e é engrandecido pela participação de grandes atores, porém, perde o foco e entrega uma narrativa que prende a atenção no início, mas não sabe o momento de chegar ao fim.



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